quarta-feira, 10 de junho de 2020

A breguice era o mais puro zeitgeist dos anos 80

Os anos 80 foram a década da esculhambação estética. Digo isso e tenho certeza que não exagero. Lembram do mullet? Pois bem. Até meu pai usou um. E não era só o mullet, os mais velhos vão lembrar de todos os collants, das ombreiras, das pochetes, dos raios laser, todo aquele excesso de... informação. Tudo sempre muito brilhante e colorido, vale dizer. As pessoas se vestiam como uma verdadeira colcha de retalhos. Nada naquelas vestimentas fazia algum sentido. Os cabelos femininos eram verdadeira arte moderna; os masculinos pareciam algo inacabado, frutos de alguma indecisão.

Mas de todas as breguices oitentistas, a que mais me incomoda — até hoje, visto que é eterna — é o uso de sintetizadores. O sintetizador foi o mullet da música nos anos 80. É que a breguice não atingiu apenas a moda, mas as artes em geral. E não apenas as artes em geral, mas também a política e a filosofia. O brega era o mais puro zeitgeist dos anos 80. Até desconfio que foi ali que começou essa mania nacional (nacional, sim, pois respondo apenas pelo Brasil) de sorrisos.

O sintetizador. Poucas coisas são tão irritantes na música. Às vezes estou numa dessas festas saudosistas e inevitavelmente começa um festival de sintetizadores. É um horror. Nessas horas sinto vontade de me recolher, mas, pelo bem de todos e felicidade geral da nação, fico. Mentira. Na verdade fico pela companhia e pela bebida.

E em algum momento da festa vou começar a dançar sem me importar com os sintetizadores. Asseguro: é um sinal infalível de que estou bêbado.