quinta-feira, 18 de junho de 2020

Brasil Surreal

Prenderam o Queiroz. Eu sei que vocês estão bem informados, a crônica não é sobre isso. A crônica é sobre verossimilhança.

É que o roteirista do Brasil não está pra brincadeira e Queiroz — respira fundo antes de ler o que vem em seguida, pois vou encher de vírgulas — foi encontrado na casa do advogado da família Bolsonaro, em um sítio em Atibaia; advogado esse que estaria de algum modo envolvido no Caso Evandro, também conhecido como As Bruxas de Guaratuba, que foi, grosso modo, o seqüestro e assassinato de um garoto de seis anos em um ritual de magia negra no início dos anos 90. Aparentemente, o tal advogado, segundo informa uma edição do Jornal do Brasil de 1992, resgatada e divulgada na rede social de certo jornalista, era membro divulgador da seita LUS — que foi responsável pelo sacrifício e emasculação de várias crianças em meados do início dos anos 90. Em sua casa, além do Queiroz, também encontraram — pois não falta humor ao nosso roteirista — um cartaz pedindo AI-5 ao lado de, pasme, pasme muito, duas miniaturas de Tony Montana, Tony Fucking Montana, o Scarface.

Em qual roteiro de ficção isso seria aceitável? Creio que nenhum. Fosse um filme, série ou livro, diríamos: “Ah, vá! Você quer que eu acredite que...”, mas é no Brasil, e a realidade brasileira é mais inacreditável do que qualquer obra de ficção.

Vou esperar que nos próximos capítulos apareça alguém com um dragão cuspidor de fogo ou algo que o valha, mas não um dragão qualquer: o nosso dragão será cor-de-rosa, terá chifre de unicórnio e, como estamos no Brasil, torcerá para o Sport Club Atibaia, um time cujo escudo e uniforme são na improvável cor de... laranja.